Cada pedaço da nossa história é escrito em pautas que conseguimos associar. Há uma música de fundo no primeiro beijo, na primeira troca de olhares, sempre que nos reecontramos. A arte recriando um ambiente.
Amar é, ele própio, uma arte. É perder o tempo em fios de magia e ganhar a eternidade num momento. É do medo fazer coragem e das fraquezas, forças. É esculpiar castelos no ar e atravessá-los de braço dado. É abraçar-te sem mais nada, apenas nós e o silêncio por companhia, não é necessário mais nada. O teu brilho não ofusca, reluz discretamente, a tua voz não se ouve, escuta-se...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
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Adinatha Kafka
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Gosto cada vez mais de Pink Floyd. Se antes era uma banda que eu ouvia como "música de elevador", agora é coisa sem a qual não passo. Já ouvi o The Wall de ponta a ponta, já vi o filme uma data de vezes e a história de um artista que se isola do mundo por já não querer ser conhecido, como foi a história de vida do Syd Barrett, tocou-me como há muito alguma vida não me tocava. "Música feita quando o LSD era mais que uma droga".
Acho que foi uma vez que estava a adormecer a ouvir a Comfortably Numb e adormeci a pensar que já não se faz música assim e que os génios musicais não deviam morrer nunca, mas como interpretar a obra de um homem que nunca quis ser visto como um artista? Como alguém que pintava uma flor, fotografava a pintura, destruia-a e depois pintava a fotografia para depois a destruir? Para quem a arte era etérea, mas eternizou-se para sempre?
E nessa noite sonhei com a mega-jam que John Lennon e Syd Barrett estariam a fazer naquele momento, em algum lado, de roda das suas guitarras e de um cachimbo de água. Eu depois quero ouvir isso :)
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Adinatha Kafka
domingo, 15 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Vento
Nem o vento revoa já com as folhas caídas. O Outono fora data de deixarem-se.
Ele tinha-se apoderado dela como de algo que se agarra aos cinco dedos, e não a deixou ser. Depois, não seria ela mais vez nenhuma.
E ela deixou-se ser naqueles olhos abismos sem prever o perigo que lhes habitava.Destruiram-se aos dois e um ao outro. Foi.
Nem o vento agora revoa quando ela descobre o seu ar cansado da batalha ou sorri timidamente para algo.
Ele já não é ele.
E ela não mais será ela de cabelo solto ao zéfiro do mar, debaixo da objectiva dele.
E o vento não sopra nem faz revoar as folhas.
Ela não é ela. É alguém que ficou presa naquele lugar.
Ela só espera que a vão buscar...
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Adinatha Kafka
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Carta perdida ou os amigos que nunca o foram.
Olá.
Escrevo-te esta carta, mas não ta envio. Sei que nunca a receberias, ou se a recebesses nunca a irias abrir, ou se a abrisses nunca a irias ler, ou se a lesses, ao deparares com a minha letra, amassavas este papel com uma das mãos e atirava-la, talvez por essa janela de onde já vi o mundo que é meu, a minha praça.
Sabes que dia é hoje, que dia hoje se assinalava? O último dia das minhas frequências, lembras-te? Lembras-te, concerteza, entre lágrimas misturadas com o sal da praia, do que me prometeste. "Voltamos, mas somos só amigos quando acabarem as tuas frequências". Estúpida, não sei porque aceitei, ou sei, porque estava completamente, estupidamente cega, cega de todo, os olhos que me te deram apenas a ti te viam naquele momento. Sozinha, longe de casa e só a ti me ligava nesse dia. "Somos amigos, já viste que nunca tivémos oportunidade de ser apenas isso, amigos, e acredita que quando sou amigo, sou o maior amigo que uma rapariga pode ter, podes perguntar à Diana que já me conhece há anos, tenho muitas amigas, nós quando nos conhecemos não passámos pela fase da amizade, aquela noite no PT (maldito nome de maldito bar, até as letras tinham algo escondido) fez-se lume, naquela noite dos caloiros o lume espalhou-se, nunca fomos amigos apenas, prometo-te a melhor amizade que já tiveste, mas no último dia das tuas frequências deixamos de nos beijar, de dormirmos juntos, apenas isso, porque somos amigos".
Como diz a música "dessa vez tu não cumpriste e faltaste ao prometido, e eu fiquei sentido e triste: olha que isso não se faz"... Perdi a tua amizade, e ainda hoje, que era o dia em que seríamos apenas amigos, não entendo porquê. Agora vivo bem com a tua ausência, mas há dias em que continuo a pensar como serias como amigo, se serias realmente o maior amigo que uma rapariga pode ter, se estarias sempre lá como disseste, se me ouvirias falar de outros namorados que eu viria a ter como disseste, se eu te ouviria falar de outras pessoas, que eu te pedi que não o fizesses, se continuaríamos a tomar chá que nem ingleses enquanto te ouvia contar como tinha corrido o dia de escola, se serias realmente um amigo, aquele amigo.
Vivo bem com a tua ausência, mas há ainda músicas que não oiço, lugares onde não passo sem um nó cá dentro, cheiros que eu marquei como teus e que me fazem depois ter sonhos aos quais chamo de pesadelos simplesmente porque neles te vejo e te falo como amigo.
Custa-me ainda ter que reconstruir o que está por dentro. E custa-me saber que, embora não esteja sozinha, às vezes sinto-me como se estivesse. Ao perder-te, não perdi apenas um namorado que não o era, mas o amigo que julgava que fosses. E é isso que ainda hoje me magoa.
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Adinatha Kafka
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Três Semestres
- Entrei. Festa. Papéis. Inscrição. Praxes. Aulas. Praxes. Aulas. Sair. Amar. Em Tomar. Odiar. Amar. Aulas. Sair. Sair. Tuna. Aulas. Aulas. Pouco tempo. Angústias. Trabalhos. Aulas. Frequências. Passei. Férias.
- Reencontros. Aulas. Aulas, aulas, aulas. Trabalhos. Sair. Tuna. Sair. Sair muito. Trabalhar pouco. Trabalhos. Stress. Mais stress. Frequências. Passei. Chumbei uma. Exame. Passei. Férias. Férias. Saudades. Sair pouco. Trabalhar nada. Dormir. Dormir, dormir. Tão bom. MSN. Dormir. Praia. Saudades. Sines. Odeio-te. Voltar.
- Voltar. Trajar. Praxar. Pobres caloiros. Praxar. Tuna. Odiar, odiar, odiar... Até hoje. Até sempre. Chorei muito. Já passou, ou há-de passar. Aulas. Escrita Criativa. O Chave. Chá. Verde, por favor. Tu. Tu e tu e tu e eu. O Outeiro, o jardim, o castelo, os corredores da escola e tu e eu. Nós. Agora sim. Amo-te. Aulas. Aulas. Amigos. Revistas de anime. Trabalhos. Não tão-amigos. Trabalhos, trabalhos. Filmagens, edição. Estúdio de rádio (ainda falta este...). Tuna. Aula Magna. Sala cheia. Mais aulas. Aulas. Pouco tempo. Trabalhos. Apresentações. Hoje começaram as frequências.
No seguimento do primeiro texto escrito na unidade curricular de Escrita Criativa e enquanto espero pelo Atelier de Escrita.
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Adinatha Kafka
sábado, 3 de janeiro de 2009
Vi-te...
Ela, cinzenta, como os dias, como ele. Saudade, uma saudade cortante, que nem o ruído pungente do telefone lhes podia acalentar. E uma porta, entre eles. Mas a porta foi nada. Beijaram-se. Foram felizes, naqueles segundos. E são. Sempre.
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Adinatha Kafka
